11/01/2018 as 16:16

O idiota da plateia

Coluna Sem Aspas Por Alex Nascimento

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
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Sem aspas

Por Alex Nascimento

 

“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor.

 

O idiota da plateia

Há momentos em que o sujeito de tal maneira nada ou quase nada compreende em relação ao que se desenrola diante dos olhos, que acaba por se achar o idiota da plateia. O cabra afunda-se na cadeira, espreme pernas e abraços, assiste estupefato a encenação ganhar contornos e volume e, longe de compreende-la, apenas faz uma série de perguntas sem atinar para as respostas.

Cada um dos que acompanha o espetáculo parece compreender os fatos, os gestos, as vozes, os cantos e mesmo os olhares dos atores, menos ele. Por vezes é assim que este colunista “se sente”, mesmo não sendo nenhum neófito, diante de certos acontecimentos da política no Brasil, e mais particularmente em Sergipe.

Por mais que este escrevente se esforce em compreender os fatos, observar os acontecimentos e auscultar as vozes que fazem o fluir da política, a verdade é que não raro acha-se o mais completo idiota da plateia, posto não conseguir responder a algumas perguntas aparentemente triviais, a algumas perguntas verdadeiramente óbvias: por que os pré-candidatos, todos eles, nada dizem sobre o que pensam em relação ao que fazer pelo Brasil, nada dizem sobre o que fazer por Sergipe?!

Não seria óbvio que já estivessem pensando, sendo pré-candidatos como são, e que já estivessem a dizer do futuro que pretendem ajudar a construir, e de que maneira? No entanto, não se ouve da boca de nenhum deles o que não seja o lengalenga, o discursinho furado, a conversa mole pra boi dormir.  Qual a razão para tamanho desleixo?!

Algum generoso leitor pode ajudar a este colunista a compreender por que diabos que não se ouve um único pensamento, uma única frase, uma única palavra nesta direção?

 

O “resgate” da bandidagem I

O presidente do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jeferson, deu com os burros n´agua. Ficou mais difícil para ele ver sua filha ministra do governo Temer. A deputada federal não nega a linhagem de que é feita e claro, tem pendengas com a justiça, inclusive dívidas trabalhistas. Pode um diabos desse?!

 

O resgate da bandidagem II

Semana passada Jeferson chorou ao comentar sobre a indicação do nome da deputada, justo para o ministério do Trabalho. “Um resgate”, disse Jeferson. O fato é que o ex-deputado deu a senha para 2018. Será que será geral?!

 

André Moura: uma peça do jogo

Em Sergipe, um outro aliado de Temer, o seu líder André Moura, promove movimentos em direção a uma candidatura própria ao governo do estado. O cabra é quase um governo paralelo a “assinar ordens de serviços” pelos municípios. Por onde passa, deixa um rastro significativo de recursos, e de poder.  Moura faz parte de um projeto de poder articulado em nível nacional, liderado por um presidente que não dissimula seus propósitos de, por um lado, “modernizar” o Brasil e, por outro garantir que parte grande de seus aliados continuem operando no mercado (do submundo) da política, e sem grandes problemas com a justiça.

 

O cavalo selado de Moura

É inserido neste contexto e articulação que o líder de Temer segurou o cavalo selado para uma disputa majoritária no estado. Se vai montá-lo são outros quinhentos. É verdade que é publica a relação que mantem com Amorim, ambos já disseram da cumplicidade e do desejo de seguirem juntos na política. Mas, como dizem, entre o ideal e o real, entre o desejo e o ato há sempre uma distância, e esta distância parece começar a se alargar à medida que em André o desejo de ser candidato ao governo se firma.

 

A fria dobradinha de Amorim e Valadares

O “acontecimento” político da semana em Sergipe foi um encontro para almoço entre os parlamentares Eduardo Amorim e Valadares Filho.  A partir deste bendito almoço inúmeras elucubrações foram feitas. “O que foi servido para os comensais parlamentares almoçarem”? Pergunta um leitor mais minucioso que continuará, a depender deste jornalista, sem resposta. O que este colunista sabe é que, à imprensa, neste dia, o que fora servida em termos de “notícias” foi uma dobradinha fria, um sarapatel requentado, uma lengalenga sem fim de que ambos vão continuar dialogando para manter a unidade e que ainda não é a hora da definição da chapa. Embalados por declarações dos dois, os da plateia disseram de tudo, disseram inclusive que Amorim e os Valadares deram um puxão de orelha em André Moura, posto a sua saliência além da conta.

 

“Quem manda em Sergipe é Luciano da Celi” I

Luciano Barreto, no alto de sua influência, já afirmou algumas vezes que o seu candidato ao governo do estado, espera ele, será André Moura. Não é, certamente, um apoio qualquer. Costumam dizer, por exemplo, que Luciano Barreto “manda no estado”. Isto é uma grande bobagem, “ninguém manda sozinho em coisa nenhuma”. No entanto, o peso e a influência que um empresário deste porte podem fazer, e costumam fazer, uma diferença danada em uma eleição. Luciano é um dos poucos megaempresários do país de quem não se ouve um único comentário que macule sua honra.

 

“Quem manda em Sergipe é Luciano da Celi” II

Defensor de preços justos e obras de qualidade, Luciano Barreto trava de há muito uma luta, quase inglória, para convencer gestores públicos a adotarem tal critério para que se possa vir a ter obras executadas com eficiência e no prazo. Em toda entrevista que concede, como na última ao Cinform no início deste ano, faz questão de frisar que o critério de licitação fundamentado no menor preço costuma afugentar empresários que, quando não conseguem aditivos abandonam as obras, o que causa enorme prejuízo para a população. Fosse da estirpe da maioria dos empresário do país e estaria fazendo era esquemas de corrupção com políticos e o seu nome aparecendo em investigações da polícia federal. Não é por acaso que é um dos empresários mais respeitados do país. Quem não quer um apoio de tal envergadura?

 

A boa fase do comunista Edvaldo

Dentre a chamada elite de políticos sergipanos, nenhum deles vive tão confortável fase quanto Edvaldo Nogueira. Em que pese a baixa avaliação de sua gestão, o prefeito de Aracaju está, como vulgarmente se diz, com a faca e o queijo: não vai disputar mandato este ano, estabeleceu novas possibilidades políticas, tem um partido sólido e conseguiu fazer um bom caixa para investir na cidade em 2018. Fortaleceu-se! Seus adversários sabem disto, tanto que o predileto deles, o deputado federal Valadares Filho, continua indo para a imprensa e mídias sociais tascar madeira no comunista. Vai adiantar muito não...

 

Bitencourt e a possibilidade do possível I

O líder do prefeito Edvaldo Nogueira é um homem experiente, um professor reconhecido, um político em ascensão. É também bem articulado, formulador de observações, um sujeito que compreende fatos históricos e que abraçou algumas bandeiras há muito tempo – não é, portanto, um comunista oportunista ou um oportunista “comunista”. Faz um mandato inteligente!

 

Bitencourt e a possibilidade do possível II

Seu nome ganha força na engrenagem do PC do B para uma cadeira na assembleia. O problema é que o cabra, apesar de bom sujeito, parece que começa a pegar já alguns vícios do poder: pra conseguir falar com ele, por exemplo, é um Deus nos acuda! Membros do Instituto Atitude estão, por exemplo, tentando encaminhar ao vereador algumas demandas de dada comunidade, e isto desde o ano passado, mas não conseguem. Se liga cabra!

 

A bandidagem vai tá de andada

Houve um tempo em que políticos se candidatavam a um cargo porque, diziam eles, tinham uma missão a cumprir, eram vocacionados ou mesmo porque compreendiam que a política é a arte de fazer o bem e coisa e tal, e que por isto eram candidatos, lutavam em busca do sonho de ser prefeito, governador, senador ou deputado. Agora não, a maioria deles corre atrás mesmo é de foro privilegiado. Não por acaso, nos próximos dois meses, em torno de doze ministros devem o governo com este objetivo. Em 2018, a bandidagem vai tá de andada, todo cuidado é pouco!

 

O dizer do futuro I

“Enquanto nação, teremos que emergir de uma nova década perdida. A crise política nacional, e também econômica, exigirá dos partidos e de todos os demais segmentos da sociedade um bom tempo para se reencontrar. Por conseguinte, qualquer programa de governo que vier a ser apresentado em 2018 vai refletir o momento “perdido”, não o arvorar do futuro. A conclusão é cruel: subordinados à realidade, o possível determinará o futuro, não o ideal, e o possível vem carregado de impossibilidades”. (Trecho de artigo “O possível de impossibilidades” de autoria deste colunista, publicado originalmente no JLPolítica).

 

O dizer do futuro II

“Não há nenhuma perspectiva de que a curto ou a médio prazo algo transformador de nossa realidade venha a ser posto em prática, a partir obviamente de um grande projeto de educação, a exemplo do que fizeram países como Coreia do Sul, a China e a Finlândia, que tornaram a educação a filosofia de todo o desenvolvimento, concomitante a outras mudanças profundas em suas realidades. É triste a constatação: a atual crise soterra definitivamente o sonho de vivermos, os cinquentões, em um país verdadeiramente desenvolvido, democrático”. (Trecho do artigo “O possível de impossibilidades” de autoria deste colunista, publicado originalmente no JLPolítica).

 

Com aspas

 

Bora o voto

Um paralelepípedo por um voto,

Uma maca pelo voto,

Uma pá pelo voto.

Pelo voto, um empréstimo

Uma emenda,

Um discurso de um discurso desfeito...

E assim tudo permanecerá no mesmo

Que tem sido!

Tonico Silveira, um sergipano.

 

Citação

  1. “Quem não quer pensar, é um fanático; que não pode pensar, idiota; que não ousa pensar, um cobarde”. (Francis Bacon),
  2. “Eu sabia que você era um idiota, mas não em nível executivo”. (Seu Madruga).

 

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