03/12/2017 as 09:36

A perda de Déda ainda ecoa

Este colunista faz também sua homenagem ao grande ex-governador Marcelo Déda, líder cuja morte faz quatro anos.

Sem Aspas

Cotidiano
Por Alex Nascimento
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Sem Aspas

Por Alex Nascimento

 

“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor.

 

As mídias sociais e a bendita arma letal

O ex-presidente Barack Obama, em discurso durante fórum sobre liderança, na Índia, na última sexta-feira (1º), afirmou que é preciso pensar antes de tuitar. Barack deu indiretas ao seu sucessor na Casa Branca, Donald Trump, que, como se sabe, andou cometendo mais uma das suas pelas mídias sociais. Obama sabe o que fala. Foi ele o primeiro, talvez o único presidente eleito impulsionado via mundo digital, e isto espontaneamente.

No Brasil, e em Sergipe não poderia ser diferente, políticos e alguns ditos influenciadores digitais(da política?!) insistem no trivial de conteúdo, no mal gosto de publicações e portanto no uso muito equivocado das novas tecnologias de comunicação. Muito do que postam confirmam a previsão de alguns escritores de que é preciso ficar atento, muito atento, para não ser mais um náufrago digital.

O poeta e escritor José Saramago, por exemplo, Prêmio Nobel de Literatura em 1998, dizia temer que a humanidade, em pouco tempo, viesse a estar reduzida à “meia dúzia” de palavras. Mais ou menos no mesmo viés,Luiz Fernando Veríssimo, o do Bagé, afirma que hoje se vive um retorno ao grunhido, ou seja, a humanidade volta ao período das cavernas. Só que digital, frisa!

No tempo dos “sentidos volatizados”, no tempo do ciberespaço, o sexo, a felicidade, a tristeza, a definição das coisas, a beleza, a educação, enfim, tudo é absorvido e manifestado pelas telas de comando dos aparelhos celulares: só nossos corpos ficam na terra, porque alguém tem que manejar o teclado e o mouse e pagar a conta da luz, afirma Veríssimo. Até a consciência, essa bendita arma letal, até elaestá volatizada.

No mundo da política, à cata de influir esta tal consciência, o que se vê é um show de trivialidades promovido por políticos com mandato e/ou pré-candidatos, mal assessorados, que se comportam como o trágico cidadão comum, convencidos de que o mais vulgar dos atos, como puxar a folha de uma árvore ou desferir uma cusparada para cima pode se revestir em interesse coletivo.

É verdade que há todo tido de gente sob o céu que nos protege, e que por isto mesmo o vulgar é elevado à condição de especial, o banal à condição de “noticia”. Mas é bom lembrar que neste universo on line, entretanto, há internautas e eleitores cada vez mais seletos,cada vez mais críticos. Estes querem para além de grunhidos na tela de seus celulares, não estão presos à cavernado bestial e são justamente os que podem vir a influir espontaneamente milhares deconsciências votantes em 2018!

Para este público não basta meia dúzia de palavras, ou frases-feitas;para este, chega de grunhidos digitais, quem não tem conteúdo que se cale. Obama tem razão!

 

Os bem articulados períodos do senador Valadares

Se compararmos parte do conteúdo do último pronunciamento do senador Valadares - proferido ao licenciar-se do cargo para tratamento de saúde -  ao conteúdo de algumas de suas já famosas tuitadas, e das quais ele muito se orgulha e as tem reverberadas, veremos que há contradições entre aquele e estas. Em seu bem articulado e inteligente discurso, intitulado Eleições 2018, Valadares diz da “contrafação da democracia” -consequência do engodo, da compra de votos e negociatas praticadas pela maioria quase absoluta da classe política nacional; fala do poder das mídias sociais e da imprensa na atualidade, lembra do desencanto do eleitor, que o senador acredita esteja mais consciente, e observa sobre o poder do marketing nos resultados eleitorais. O senador diz das verdades do Brasil. Tudo certo e arejado...

 

As interrogações do senador Valadares conduzem ao óbvio

Já no primeiro parágrafo, Valadares questiona “quem vencerá as eleições de 2018”, para em seguida enumerar interrogações de possibilidades: “Será a mentira? O populismo? A demagogia? O poder econômico? A experiência? A modernidade? O novo? O centro? A direita ou a esquerda?”. Um leitor astuto há de responder: “todos eles, nobre senador, se há uma coisa que político sabe fazer é tirar o seu da reta, é se transfigurar”.  Mas pode ser também qualquer um deles, diria outro leitor, já que não fará positivamente a menor diferença para as próximas duas, três décadas da história do Brasil. Todos eles ou qualquer um, é quase como um tanto faz - como de certa forma o próprio texto do senador “sugere” ao afirmar que o poder econômico – e portanto também a mentira, o populismo, a demagogia - desafia a Justiça Eleitoral e determina boa parte dos mandatos, e o pior é que “poucas investigações chegarão a bom termo”. Também a modernidade e o novo (?!) hão de vencer, essa modernidade que nada moderniza, e o novo que pouco ou nada inova...

 

A contradição entre discurso e tuitadas de Valadares I

Em suas já famosas tuitadas, o senador Valadares usa as mídias sociais para persistir em um hábito da velha política.  Através delas, à moda antiga, alimenta os leva-e-traz, agora digitais, com “tiras” que em nada acrescentam a ele, à altura onde se encontra, nem ao seu mandato, nem ao estado que representa se considerarmos o perfil do atual eleitor e a realidade da política nacional, como tão bem o próprio senador expressa em seu discurso Eleições 2018. Mas o senador gosta da coisa. Ele mesmo reconhece que não vive em um mundo de santos, mas “notadamente no mundo da disputa política, que se manifesta de várias formas: no pecado, na inconsequência, na coragem, no ideal ou na pureza”. Fazer o que?!

 

A contradição entre discurso e tuitadas de Valadares II

As tais tuitadas do senador, obviamente as que não contribuem para o bom debate,negam aspectos pontuados pelo parlamentar no referido pronunciamento. Neste, Valadares manifesta compreender o poder das mídias sociais e o papel da imprensa moderna, defende o respeito ao eleitor e o combate à demagogia política e ao engodo; já em muitas de suas tuitadas, usa o tempo de seus seguidores digitais com “tiras” que em nada contribuem para com o seu mandato e nem para com a boa política, vide recente postagem na qual afirmou ter sido um “fracasso” dada reunião do PMDB, de pronto desmentido por publicações de fotos do evento. É ou não gratuito?! É ou não também uma forma de subestimar o eleitor?! É ou não um hábito da velha política?!

 

André Moura e o paraíso perdidoI

A primeira vitória eleitoral de André Moura foi em 1997, quando conquistou a prefeitura de Pirambu, com uma vantagem de apenas 92 votos. Quatro anos depois foi reeleito com 86,9% dos votos válidos, na época disparado a maior votação para prefeito no estado, ea segunda maior do Brasil, em termos proporcionais. Foi eleito deputado estadual com 38.800 votos e para federal obteve 83.641 ereeleito escolhido por 71.523 eleitores. Hoje, pesquisas de opinião mostram que André será novamente eleito, mas só se for mesmo para deputado federal. Ou será isto ou paraíso perdido...

 

André Moura e o paraíso perdido II

André Moura, apesar de ser o parlamentar que mais influenciou junto ao governo federal para a liberação de verbas para o estado e de todo espaço político conquistado dentro e fora de Sergipe - e mesmo levando em consideração as expressivas votações que obteve nas eleições que disputou, com exceção da primeira - ao que parece o eleitor não morre de amores por ele – nem é André um todo carente. Pragmático como é, e diante do que tem representado, não seria absolutamente natural que seu nome foi escolhido para alçar voos maiores? Não seria natural que seu nome viesse mesmo a ser o escolhido da oposição para ser candidato ao governo, ou na menor das hipóteses ao senado?! Seria sim, mas não é o caso! Ou será federal ou paraíso perdido...

 

Marcos Santana canta sua aldeia I

Senhores políticos, os senhores precisavam ter visto a jovem Héloa cantando com o pernambucano Otto, nesse sábado, dia 01, na belíssima cidade de São Cristóvão, no FASC. Como se diz por ai, foi do c... E antes deles?! Vocês já ouviram Maestrinho? Não?! Sério?! Antônio Rogério e Chico Queiroga já, né?! Senhores políticos, de uma vez por todos entendem que “a gente não quer só comida, a gente que comida, diversão e arte”. Parabéns prefeito Marcos Santana, parabéns! Você cantou sua aldeia e, de quebra, deu um sopapo bom e bem dado no restante de parte grande da classe política do estado. Talvez uma parte dos senhores políticos, absorto em faturas, não saibam mas, em termos de arte, há uma rapaziada aqui estado fazendo coisas fantásticas, nacional e internacionalmente reconhecidas. Fiquem mais ligados! Parabéns prefeito Marcos Santana, mais uma vez parabéns! Já em Aracaju é melhor deixar pra lá... Edvaldo Nogueira, pergunte ao prefeito de São Cristóvão como fazer.

 

Marcos Santana canta sua aldeia II

Este colunista conversou com dois profissionais envolvidos no FASC. Relataram a correria do “tudo muito em cima da hora”. Por vezes é assim mesmo, vai na tora. Marcos Santana resgatou o festival, agora é se organizar melhor e melhor divulga-lo.  Muitas visitantes reclamaram da dificuldade de para retornarem para suas casas, especialmente os que moram em Aracaju. Talvez fosse o caso do prefeito Marcos ver alguma parceria com algumas empresas do setor, enfim, ver o que é possível ser feito nesta direção.

 

Marcos Santana canta a sua aldeia III

Agora, algo sério foi o policiamento presente em São Cristóvão ter se retirado do local do evento antes mesmo dele ter sido encerrado. Claro que os frequentadores de festivais com boa música como é o de São Cristóvão costumam ter um certo perfil mais tranquilo, ou como se dizia no tempo deste colunista, “mais cabeça”. Mas, mesmo assim, nunca se sabe... Bacana mesmo foi a postura do pessoal do Corpo de Bombeiro, ficou até o final!

 

O cardeal Clóvis Silveira

O presidente do PPS tem sido capaz de promover algumas das não “previstas” movimentações da política sergipana. Aliás, o PPS vive, nas mãos do habilidoso Clovis Silveira, o seu melhor momento em Sergipe, o que tem levado ao presidente aacreditar que a possível candidatura de Mendonça Prado já não é uma terceira via, “mas a segunda” e, otimista, acha mesmo que pode vir até a ser a primeira. É muito otimismo mas, como diz Clóvis, “a marinete está de portas abertas”. O PPS deve, em 2018, fazer alianças com o Prós, o LIVRE, o PMN e o DEM. Como dizem, há casos que se um bom padre não resolve, chame um cardeal que ele consegue...

 

Alexandre Figueiredo: uma renovação do PMDB?

Essa coisa de herança política é algo que o eleitor brasileiro percebe ser, quase sempre, algo nefasto. Exemplos vigoram em todo canto, inclusive em Sergipe. Mas há, claro, suas exceções. Estaparece ser o caso de Alexandre Figueiredo, filho do secretário de Estado do Governo, Benedito Figueiredo. Figueiredo, o filho, demonstra certo idealismo pela política e nutre paixão pelo fazer social – tanto que quase não para de falar se alguém pergunta a ele sobre os trabalhos desenvolvidos pela Fundação Ulisses Guimarães, da qual é vice-presidente. Bem quisto nas rodas que frequenta, tido como um sujeito de bom trato, sua pré-candidatura à deputado federal se fortalece dentro e fora do PMDB. Alexandre, que é secretário-chefe da Controladoria-Geral do Município, é também sócio de conceituado escritório de advocacia, não precisa da política para viver. Está no caminho certo!

 

O hoteldo Sesc e o Sistema S I

Em 2016 o Sistema S, que começou a ser estruturado em 1942, recebeu 16 bilhões da Receita Federal, fruto da arrecadação de tributos, distribuídos entre nove entidades do Sistema como Sesi, Senac, Sesc e Sebrae. Estas entidades oferecem ensino, e de qualidade, cultura, lazer e encaminham milhares e milhares de jovens ao mercado de trabalho. Tal repasse costuma atrair oportunistas com o fito de desvia-lo, o que raramente acontece posto a marcação cerrada que setores da indústria, do comércio e do agronegócio realizam. Ainda bem...

 

O hotel do Sesc e o Sistema S II

Para se ter uma ideia mais clara do montante que são estes 16 bilhões, é ele quase a metade do Orçamento do Bolsa Família de 2017. Em 2016, o Sesc recebeu 4,64 bilhões; o Sebrae 3,16; o Senac 2,57; o Sesi 2,18; o Senai 1,52 e por ai vai. Imagine o leitor o desmando que não seria se tais instituições “fossem soltas” ?! As representações nacionais supervisionam as regionais nos estados e suas presidências apresentam especificidades. O Senai é dirigido pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria; o Senac, pelo presidente da Confederação Nacional do Comércio; no Sebrae há um conselho deliberativo que conta com representações de associações e de bancos públicos que escolhem o presidente; já no caso do Sesi, o presidente do Conselho é indicado pelo presidente da República. A eficiência de gestão é uma marca do Sistema...

 

O hotel do Sesc e o Sistema S III

Pois bem! Uma prova, em Sergipe, de que tais recursos são geridos com competência é que a Orla de Aracaju ganhou um novo hotel. Destinado ao turismo social, foi inauguração o Hotel do Serviço Social do Comércio, na última quinta-feira, dia 30. Elegante, com uma fachada espelhada, o hotel é um empreendimento do sistema Fecomércio e atende a comerciários associados ao Sesc. Há nele uma boa área de lazer, academia, piscina e campo de futebol. O presidente da Fecomércio, o deputado federal Laércio Oliveira era todo orgulho. Não é pra menos. O projeto insere Sergipe no turismo social, que é formado por 48 unidades hoteleira do Sesc em todo o país. Esse segmento movimenta 3 milhões de turistas por ano.

 

Confissão descabida

Este colunista é, “do ponto de vista moral, favorável a tudo quanto é de sacanagem”, exceto a que desconsidera, humilha, desdenha, vilipendia, maltrata, rebaixa o sonho alimentado pelos que, trepados em marquises, postes, sacadas ou carrocerias de caminhão fizeram eco ao sonho de um Brasil, e de um Sergipe, sem as profundas desigualdades que persistem - e pensar que muitos dos que estavam nos palanques das Diretas Já cometeram o crime terrível de saque-la é de lascar!

 

A perda de Déda ainda ecoa

Este colunista faz também sua homenagem ao grande ex-governador Marcelo Déda, líder cuja morte faz quatro anos. Déda deixou um vazio que ecoa ainda fundo no cotidiano dos sergipanos, especialmente dos menos favorecidos. Déda certamente enxergaria caminhos!

 

“Mas contem a nossa história. Amanhã, ou daqui a uma década, ou daqui a 20 anos, quem ficar, conte a história; que toda vez que a história for contada, eu estarei vivo”. Marcelo Déda.

 

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