03/12/2017 as 12:32

"Amai o próximo como a ti mesmo"

Por mais que algumas representações LGBTI afirmem que encaram o pedido do padre de forma positiva, taxar a sexualidade do príncipe George, um garoto de pouco mais de 4 anos, só porque ele foi clicado, em julho deste ano, em uma pose que aparece com as mãos juntas no queixo, é se lançar em um enorme precipício.

LGBTI

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Por Ricardo Montalvão.
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Olá caros leitores! É com uma enorme alegria que retorno a comandar a coluna LGBTI do Portal Alô News. Devido a alguns problemas de ordem pessoal, precisei me retirar da nossa coluna, mas meu querido amigo Jr Valadares entrou em contato comigo para me convidar a retomar o comando dessa coluna tão querida por mim. Deixo aqui, o meu sincero agradecimento de coração pelo convite, pois poderei realizar algo que sempre me deixou muito feliz: escrever a coluna LGBTI do nosso Portal Alô News.

Bom, para marcar meu retorno, trago dois assuntos que têm gerado grande repercussão nas redes sociais. Recentemente, Kelvin Holdsworth, reitor da Catedral de Glasgow, da Igreja Episcopal Escocesa publicou em seu blog uma afirmação polêmica, sobre o príncipe George, neto da rainha Elizabeth II, chefe de estado da Inglaterra. Holdsworth publicou um pedido à população no Reino Unido, segundo ele, é necessário que se faça a "opção de rezar, na privacidade de seus corações (ou, em público, caso se atrevam), para que o Senhor abençoe o príncipe George com o amor, quando crescer, de um bom jovem cavalheiro". Para justificar seu pedido, Holdsworth argumentou que "Um casamento real ajudará a solucionar as coisas de maneira incrivelmente fácil, apesar de termos que esperar 25 anos para que isso aconteça". Embora a Igreja Anglicana, principal representação religiosa da Inglaterra, não tenha se pronunciado oficialmente, mas já se fala que a instituição e a própria família real não aceitaram nada bem as palavras do padre.

Por mais que algumas representações LGBTI afirmem que encaram o pedido do padre de forma positiva, taxar a sexualidade do príncipe George, um garoto de pouco mais de 4 anos, só porque ele foi clicado, em julho deste ano, em uma pose que aparece com as mãos juntas no queixo, é se lançar em um enorme precipício. O príncipe George é, antes de tudo, apenas uma criança e por ser criança, comporta-se como tal. Ele está em processo de desenvolvimento humano e sua sexualidade é o que me nos importa. Para quem não lembra da história, vou refrescar a memória. Há cerca de cinco meses, o príncipe foi fotografado durante um encontro familiar. Nada mais normal, já que o pequeno é o bisneto da rainha Elizabeth II, só que o grande reboliço é que o pequeno fora flagrado em uma pose que foi caracterizada como afeminada e, portanto, o pequeno começou a ser chamado de “primeiro reizinho gay”. Segue abaixo a imagem capturada.

Ora, entendo que termos uma grande representatividade de nossa causa, é muito bom, pois só assim a Inglaterra e a igreja Anglicana poderiam repensar sobre a proibição quanto a permitir o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo, dando a nós, população LGBTI, mais um direito conquistado. Entretanto, mais do que comentários positivos, houveram os com alto teor homofóbico, discriminando uma criança! É tremendamente lastimável perceber a intolerância que habita a humanidade, a um ponto em que não se respeita mais nem o direito de uma criança ser criança.

Sobre o assunto, o site Catraquinha, pertencente ao Catraca Livre, entrevistou a pedagoga Caroline Arcari, diretora da Escola do Ser e autora do livro "Pipo e Fifi", que trata do tema prevenção do abuso sexual infantil. Segundo o Catraquinha, Arcari afirmou que precisamos considerar antes de qualquer coisa que se trata de uma criança em sua primeira infância e que, portanto, deve ter sua liberdade de ser resguardada e respeitada.

"Chorar, dançar, ser sensível, se movimentar de forma delicada, cozinhar, cuidar dos filhos, trocar fraldas, ter medo são características que não precisam do órgão genital. Basta ser humano. Não são piadinhas. Não são comentários inofensivos. São sintomas de uma sociedade doente que mostra que é urgente a reflexão sobre novas e diferentes masculinidades, que estabeleçam papeis mais justos e com maior igualdade entre homens e mulheres", defende.

"O teor das piadas feitas quanto à pose do príncipe envolve ignorância, confusão quanto aos conceitos de comportamento, gênero e orientação sexual. O fato de ele supostamente se expressar de forma diferente dos padrões estabelecidos como a 'masculinidade vigente' não tem necessariamente a ver com sua orientação sexual. Estamos falando de uma criança em fase de desenvolvimento, lembremos disso", frisou Arcari. Sobre o fato de ser uma criança exposta na mídia, é valido refletir sobre alguns porquês, como por exemplo: por que considerar ultrajante alguém ser chamado de "gay"?, questionou a especialista. Para ela,

Das piadas homofóbicas aos comentários sobre o gesto aparentemente afeminado do príncipe, o mecanismo principal que teceu essa reação na internet foi o mesmo: o machismo. Assim como 'magro' nao é elogio e 'gordo' não é ofensa, apenas características pessoais, 'hétero' não deveria ser elogio, assim como 'gay' não deveria ter conotação depreciativa ou negativa. São caracteristicas da personalidade humana.

Ou seja, antes de mais nada, precisamos lembrar que ele é apenas um menino de cerca de 04 anos, e se ele for gay, qual o problema? Independentemente de sua sexualidade, o importante é que ele posa ser um rei consciente, tolerante e que lute em favor das minorias e proporcione uma melhor qualidade para nós LGBTI, para as mulheres, negros, refugiados, cadeirantes, portadores de necessidades especiais, enfim para todo ser humano que habite seu país de origem e os demais. Homossexualidade não é vergonha, não é erro, não é problema. Antes de da etnia que fazemos parte, classe social, limitações físicas, gênero, sexo, antes de qualquer coisa, somos humanos e devemos ser respeitados. Mesmo que você não aceite, sua obrigação é respeitar, afinal, você exigirá que seja sempre respeitado, portanto, respeite o próximo. Lembre-se, amai o próximo como a ti mesmo.

Nosso próximo assunto, assim como o primeiro, vem causando furor na internet. No último dia 29, a Matel, empresa responsável pela produção da boneca mais famosa do mundo, a Barbie, publicou uma foto na conta do Instagram da boneca, em que duas Barbies aparecem trajando camisetas com a expressão “Love Wins”, que traduzindo para o português, significa “O amor vence”, que é o slogan de uma campanha em favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo (abaixo, você pode visualizar a imagem publicada). A Matel fez questão de esclarecer que a Barbie é uma marca que celebra a diversidade, a bondade e a aceitação. A estampa foi criada pela blogueira Aimee Song, que ao ver a atitude da Matel, publicou agradecimento em sua conta pessoal da mesma rede.

Após a belíssima atitude da empresa responsável pela boneca Barbie, uma enxurrada de comentários foi postada na publicação. Como já podemos esperar, alguns deles com palavras bastantes LGBTIfóbicas, que não vale a pena falarmos sobre eles, afinal de contas, a marca garante que o número de comentários a parabenizando pela postura adotada é, infinitamente, superior. Saber desses dados, é um grande alívio e de uma enorme alegria, pois, embora, a intolerância, o desrespeito e o ódio venham tomando grande visibilidade, a esperança pelo “Love Wins” é grande e certa. Por mais intolerância e ódio que presenciemos, não podemos esquecer que o amor sempre vence. E para reforçar nossa luta e nosso sonho, replico aqui um dos comentários positivos publicados no Instagram da Barbie. Uma das inúmeros seguidoras afirma ser "Tão triste em ver pais pensarem que está tudo bem em criar seus filhos numa casa repleta de intolerância. Ainda bem que a maioria não faz isso hoje em dia, e as crianças vão, espero, desaprender a homofobia, racismo e xenofobia de seus pais".

E é pensando nessa leva de crianças criadas longe da LGBTIfobia, do machismo e xenofobia, que encerro meu primeiro texto no meu retorno à nossa coluna LGBTI do Portal Alô News. Espero ter lhe trazido um pouco de reflexão sobre o respeito pelo próximo e essa bela onda de amor em que nossas novas crianças vêm sendo criadas. Não desista de lutar pelos seus direitos, pelos nossos direitos, por mais que ela seja longa e difícil. Se estivermos unidos, a luta será cada vez mais forte. Você não precisa ser LGBTI para defender um LGBTI. Você precisa, apenas, respeitar e amar o próximo.




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