10/12/2017 as 09:44

Pais abandonam bebê recém-nascido, que tinha anemia e recebeu sangue de transexual

LGBTI

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Por Ricardo Montalvão.
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Olá, mexs queridxs leitorxs! Estive passeando pela internet, nos últimos dias, em busca de temas para essa postagem. Confesso que até havia preparado um texto sobre a divulgação de uma recente pesquisa que, embora os cientistas façam questão de informar que os resultados são apenas suposições, apresenta o seguinte levantamento: podem existir indícios de que há vestígios genéticos que determinariam a orientação sexual masculina. Mas algo apareceu em minha frente que me desconcertou e fez com que mudasse a temática da postagem desse domingo.

Rekha é uma mulher indiana que fizera uma boa ação: doara sangue a um bebê recém-nascido que estava com anemia profunda. Dias depois, após a pequenina sair do hospital, os pais da criança decidiram visitar a doadora do sangue que salvou a filha, em forma de agradecimento pelo ato de Rekha. Uma bela e tocante história em que a doação de sangue salvou uma vida, se não fosse pelo fato de que Rekha é uma mulher transexual e que, no dia seguinte após visitarem Rekha, os pais da menina a abandonaram na porta da casa da mulher que salvou sua vida.

Sim, você entendeu corretamente! Alegando medo de que sua filha, ao receber o sangue de uma mulher trans, tenha adquirido a transexualidade, ao receber o sangue, os pais da menina decidiram abandonar a filha com poucos dias de vida, na porta da casa de Rekha, já que ela teria contaminado a menina com sua identidade de gênero.

Rekha conta que, no seguinte à visita, seus amigos encontraram uma criança recém-nascida na porta de sua casa, e que nas coisas da criança havia um bilhete que dizia que a criança não era mais adequada para ser criada na família, pois havia recebido sangue de uma transexual, e que por isso, os pais temiam que a menina tenha se tornado um deles, já que em suas veias corria o sangue de Rekha. Chocada com a situação, a doadora entrou em contato com o hospital, que confirmou a história e a identidade da menina.

Ao se deparar com a bebê em seus braços, Rekha afirmou reviver muitas emoções ruins de sua infância, pois ela também fora abandonada por seus pais, no momento em que eles perceberam que sua filha era trans. Ao se ver diante do ocorrido, ela decidiu, imediatamente, entrar com o pedido de adoção da criança, pois sabia o que era ser abandonada pelos pais e, em momento algum, ela deixaria a garotinha crescer sem o amor de uma mãe, de uma família. Atualmente, a filha de Rekha tem seis anos, tem uma vida normal como uma menina de sua idade e vem crescendo rodeada do amor de sua mãe e de todos os amigos de Rekha.

Em outubro passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) se reuniu para mais uma tentativa de se aprovar a retirada da restrição de doação de sangue por parte de homens gays, bissexuais, travestis, transexuais e os HSH (homens que fazem sexo com outros homens, não, necessariamente, sendo gays). A votação foi interrompida no dia 26 de outubro deste ano, pois o ministro Gilmar Mendes solicitou um tempo maior para que ele pudesse analisar melhor o caso e, assim, levar seu voto ao plenário. O ministro Luiz Edson Fachin, relator do processo, e os seus colegas, os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux defendem o fim da restrição, já Alexandre de Moraes abriu divergência à Corte, ao votar contrário aos demais, informando que antes do sangue ser injetado no paciente, ele deve passar por vários testes a fim de que seja confirmado que o material não esteja infectado. O ministro de Temer, age como se apenas nós da comunidade LGBTQI pudéssemos ser portadores de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), ou do vírus HIV e da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

Senhor Alexandre de Moraes, o senhor deveria procurar maiores informações, pois nos últimos anos o maior índice de pessoas infectadas com o vírus HIV/AIDS são mulheres heterossexuais, que são infectadas ao fazerem sexo sem proteção com seus respectivos parceiros amorosos, além dos jovens heterossexuais, independente do gênero e que têm entre 18 e 25 anos, que mantém o mesmo comportamento de risco. Portanto, senhor ministro Alexandre de Moraes, quaisquer pessoas podem ser infectadas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde insistem em alegam que não tratam a situação de maneira discriminatória, pois os órgãos apenas exigem que esses grupos atendam a norma exigida que é de não praticarem atos sexuais nos últimos 12 meses, já que essa regra é uma dentre as demais que visariam proteger o receptor do sangue doado contra doenças. Tal regra impõem, sim, a proibição definitiva, pois a exigência determina que apenas a comunidade LGBTQI praticaria comportamentos sexuais de risco, contrariando os índices supracitados.

É bastante lamentável perceber como existem pessoas intolerantes, devido à má informação sobre diversos assuntos, sendo que muitas vezes, a intolerância pela falta de informação advém da relação delas com suas religiões. Em contrapartida é gratificante se sentir atingido pela onda de amor ao próximo que vem inundando as pessoas, nos últimos tempos. E é devido à essa onda de amor e tolerância ao próximo que a personagem do texto desse domingo pode ser adotada por Rekha e, dessa forma, ter garantido seu direito ao amor e de crescer como a criança amada que ela é.




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