17/12/2017 as 15:36

O fortalecimento da corrupção em família

É parte da história do Brasil o envolvimento de membros de uma mesma família em esquemas de corrupção. Para os membros das quadrilhas familiares, os ilícitos são uma herança consanguínea e um processo “natural” do poder que ocupam. Para elas, os cargos públicos sãoinstrumentos para práticas criminosas, alimentadas em cadeia de sobrenomes e garantem retaguarda mútua e manutenção das regras capazes de transmitir, a gerações que se sucedem, as mesmas condições para o crime.

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
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Sem aspas

Por Alex Nascimento

 

“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor.

 

O fortalecimento da corrupção em família

 

É parte da história do Brasil o envolvimento de membros de uma mesma família em esquemas de corrupção. Para os membros das quadrilhas familiares, os ilícitos são uma herança consanguínea e um processo “natural” do poder que ocupam. Para elas, os cargos públicos sãoinstrumentos para práticas criminosas, alimentadas em cadeia de sobrenomes e garantem retaguarda mútua e manutenção das regras capazes de transmitir, a gerações que se sucedem, as mesmas condições para o crime.

Estas famílias, cravadas como câncer na política nacional, impossibilitam o florescer e o vingar da ética na política. São elas que, de certa forma, mandam no pais. Não há um só munícipio, um só estado em que tal realidade não se imponha. É o velho patriarcalismo brasileiro, copiado por novas famílias de larápios, solapando as possibilidades de o Brasil via a ser um pais verdadeiramente democrático.Entre elas, há o rateio do mercado da corrupção, cada uma toma conta de um nicho de fraudes.

Como se não bastece o que roubam do Estado, esses larápios unidos pelo sangue e pelo roubotravam possíveis mecanismo de distribuição de renda, acachapam a classe média e inviabilizaram serviços e oportunidades para os setores menos privilegiados. Eles representam um entrave para um estado de fato liberal, democrático e moderno à medida que impedem a concorrência leal entre os indivíduos e entre empresas.

Nas últimas décadas, ao que parece, houve o fortalecimento da corrupção em família. Em 2017, os brasileiros passaram a conhecer um pouco mais a respeito delas. Se pegarmos a lista de presos e dos principais investigados da justiça por casos de corrupção veremos que filhos, pais, maridos, esposas, irmãos e irmãs, além de primos e toda espécie de agregado de sangue aparecem unidos na bandidagem.

No Brasil a corrupção é um legado, uma herança capaz de assegurar o poder. Está no DNA de muitas famílias.

 

Corrupção familiar em 2017

Talvez 2017 tenha sido o ano em que os brasileiros mais tenham ouvido falar do envolvimento de famílias com os esquemas de corrupção. A coluna Sem Aspas fez questão de listar alguns nomes da “grande família” de corruptos do pais, e isto somente de nomes delatados pelos donos da Odebrecht, o pai e o filho corruptos Emílio e Marcelo Odebrecht.

 

A corrupção une pais e filhos

Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o pai, o ex-prefeito do Rio César Maia e o sogro, Moreira Franco (PMDB) - para quem não sabe, Maia é casado com a filha de Moreira. Na família Calheiros, Renan Calheiros (PMDB) responde, junto com o filho, o governador alagoano Renan Filho (PMDM) em inquéritos diversos, como o que investiga o desvio de recursos da obra do Canal do Sertão alagoano. No Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), e o seu filho, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), ambos generosos defensores dos interesses da Odebrecht Ambiental na área de saneamento básico no estado, são acusados pelo recebimentos de generosas quantias. Já a família Jucá tem o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o filho Rodrigo Jucá, pai e filho acusados de também manterem envolvimento com Emílio e Marcelo. A família Brito, da Bahia, tem Antônio Brito (PSD-BA), e o pai Edvaldo Brito (PTB-BA). Em Goiás, Daniel Vilela (PMDB-Go) e seu pai Maguito Vilela (PMDB-GO). O pedido de doação de pai para filho foi também o motivo que levou o ex-ministro José Dirceu a ser investigado no Supremo. Dirceu levantou dinheiro para Zeca como contrapartida a intermediação de interesses da Odebrecht no governo. Outros dois nomes da lista são o ex-presidente Lula e o seu filho, o Lulinha.

 

A corrupção une marido e mulher

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) tem a companhia do marido Moisés Pinto Gomes, que intermediou pagamentos de caixa 2 para a senadora no ano de 2014.  A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) também tem a companhia de seu marido, o operador Eron Bezerra.  Outro caso é formado pelo deputado federal Décio Lima (PT-SC) e a deputada estadual catarinense Ana Paula Lima (PT-SC).

 

A corrupção une irmãos

Já o governador Tião Viana (PT) prefere operar com o senador Jorge Viana (PT), seu irmão. Ambos respondem a processos por uso de caixa 2. Teriam recebido da Odebrecht R$ 1,5 milhão em 2010.

 

Ana Alves e o certo da comunicação

Muitos jornalistas sergipanos, sobretudo nesta febre que é o mundo digital, trata a chamada notícias como se jujuba fosse, e, no afã de “saírem à frente”, muitas vezes são obrigados a desdizer o que disseram no dia anterior. Vejam, por exemplo, o caso Ana Alves, filha do ex-prefeito João Alves Filho e da senadora Maria do Carmo, investigada por participação em peculato, formação de organização criminosa e obstrução de investigação da justiça. Muitos disseram sobre o caso. Em um primeiro momento, pintaram Ana Alves com vítima de uma injustiça, uma trama “terrível” para macular o nome da família a que pertence. Depois vieram os fatos e a compreensão de sua justa prisão. Houve, obviamente, quem tenha saído em sua defesa por interesses diversos, e quem tem dito dela algumas verdades. Tudo muito normal e mesmo civilizado. O que não se disse é o quanto o povo de Sergipe lamenta ver o nome de uma das mais importantes famílias da política sergipana dos últimos 50 anos envolvida com algo tão infeliz quanto os esquemas de que alguns membros são acusados. Até fantasma se arrepia!

 

Mendonça Prado é fiel escudeiro familiar

O ex-deputado federal Mendonça Prado não é menino. Educado no mais tradicionalismo político, o cabra sabe jogar com as circunstâncias e adequar seu discurso a elas. Agora, de volta ao DEM, de onde de fato nunca saiu, Mendonça se fortalece politicamente e “volta por cima” ao seio de seu antigo lar. Para a família Alves, não há nome mais apropriado para comandar o partido. Quem deve sentir bastante o seu retorno ao antigo ninho é o PPS, que vinha montando uma linha de frente interessante para 2018.  Agora, é esperar para ouvir o que Mendonça Prado “pensa”, por exemplo, sobre figuras de seu novo-velho partido, como o todo engomado Rodrigo Maia, presidente da Câmara...

 

Lamentável, Machado

O ex-prefeito de Aracaju e ex-deputado federal José Carlos Machado teve que depor na justiça no caso que investiga a contratação de funcionários fantasmas na gestão do ex-prefeito João Alves Filho. É no mínimo lamentável que um político com as qualidades de Machado termine também por se perder no emaranhado daquilo que hoje é moda chamar de “a velha política”. Ele afirma que não sabia e que não era ele quem nomeava os funcionários. Tudo bem, é até possível. Mas para um habilidoso da política, como é o caso Machado, essa história de “nada ouviu, nada viu, nada sabe” é de doer nos ossos de qualquer um. Lamentável, caro Machado.

 

O danado doMárcio Macedo é seguro

Mesmo que um pouco manco no trato com a palavra,já que cheio de chavões e vícios linguísticos, Márcio Macedo é mesmo um cabra talentoso. Em entrevista nesta última sexta-feira, 15, ao radialista Gilmar Carvalho, Macedo apresentou as novas-velhas palavras de ordem do momento petista, fez a defesa de seu líder político Lula, manifestou apoio ao nome do vice-governador Belivaldo Chagas, não se intimidou com críticas feitas por ouvintes e deu demonstrações do porquê que se tornou um dos nomes mais respeitados do partido, dentro e fora do estado. Outra qualidade de Márcio Macedo é o fato de saber ser bem assessorado. Como pré-candidato à deputado federal, o cenário para ele é melhor que o que teve quando conseguiu ser eleito, apoiado pelo ex-senador e falecido José Eduardo Dutra. A disputa vai ser boa...

 

O danado do Márcio Macedo e Rogério Carvalho

Com a morte do ex-governador Marcelo Déda, que completou quatro anos este mês, muito se falou sobre o vaco deixado no PT e quem o ocuparia. Fala-se que houve entre em Márcio Macedo e Rogério Carvalho inúmeros pega-pra-capar. Mas, ao que tudo diz, os dois chegam em 2018 muito bem aliados. Há quem veja neles a mesma parceria que Déda e Zé Eduardo mantinham quando vivos. Ambos, digam deles o que quiserem, sabem ocupar os espações e tem uma energia danada à cata de voto...

 

Jeferson Lima e a defesa do PT

Segundo o presidente municipal do Partido dos Trabalhadores de Aracaju, o jovem Jeferson Lima, a antecipação do julgamento de Lula em segunda instância servirá para provar a inocência do líder petista das “absurdas” acusações de que vem sofrendo. Jeferson, no mais sintonizado diapasão petista, também afirma que a antecipação é uma tentativa de impedir a candidatura do líder petista à presidência da República, e mais uma ação continuada do “golpe” contra a democracia nacional. Ao ser perguntado sobre o PT em Sergipe, Jeferson afirma que há uma unidade dentro do partido, e que Rogério será o candidato ao senado e Márcio, como o candidato de Lula, à Câmara Federal.

 

O cortejado Waltewan Noventa

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de São Paulo, o senhor Waltewan Noventa, que “agora volta a ser sergipano, empenhado na defesa dos trabalhadores do estado, na defesa do povo humilde de nossa gente, na defesa dos valores e da cultura de que tanto se orgulha” – nos dizeres irônicos de dado presidente de partido, em conversa com este colunista -  tem sido cortejado por uma penca de siglas para que venha a ser candidato a deputado federal ano que vem por Sergipe. Bom é assim: da noite pro dia, não há que não tenha ouvido falar no nome do cabra. Será ele um hipnotizador de cobras?! Será que engole fogo de vulcão?! O que há em Waltewan Noventa para seduzir tantas lideranças em tão pouco tempo?! Segundo a imprensa, semana que vemNoventa vai disponibilizar uma frota de 20 carros para a sua pré-campanha. Ah, tá...

 

Programaçãoespecial de final de ano da Aperipê

O ano de 2017 representa um marco para a Fundação Aperipê. Além da transmissão dos sinais em HD, houve também a recuperação das torres da rádio, o que elevou a qualidade técnica e de transmissão, especialmente da AM. Em comemoração às inúmeras conquistas, a Fundação preparou uma programação especial de Natal e de Ano Novo com alguns dos grandes nomes da cultura sergipana, a exemplo de Mestrinho, The Baggio, Luiz Fortinelli e Joésia Ramos. Parte da programação resulta das gravações realizadas durante o Festival de Arte de São Cristóvão (FASC), do qual a Fundação foi parceira. Que bom, assim os sergipanos poderão fugir da pasmaceira geral que é a programação de final de ano da televisão brasileira...

 

O filme Extraordinário

Não que o filme seja esta coisona toda, mas vale muito ir assistir ao filme Extraordinário, sobretudo se for um programa entre pais e filhos. Extraordinário conta a história de um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, “ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta”. O filme mostra que é sempre necessário observar a vida por novos ângulos, ter sempre um novo olhar sobre as pessoas e sobre os acontecimentos. 

 

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