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08/03/2017 as 20:13

Opinião: 'Violência contra a mulher deve ser tratada com consciência'

Especialistas falam à Sputnik Brasil sobre as questões que são discutidas neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher

Agência Sputnik
Foto: Sputnik Brasil / Mário Russo<?php echo $paginatitulo ?>

Especialistas falam à Sputnik Brasil sobre as questões que são discutidas neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher.

Uma das questões que mais afligem as mulheres no Brasil é a extrema violência que sofrem – física, psicológica ou moral. Nem mesmo o advento de leis como a 11.340, de 7 de agosto de 2006, que ficou conhecida como Lei Maria da Penha e se destina a combater a violência doméstica, inibiram essas práticas. Assim como a entrada em vigor da Lei 13.104, de 2015, que alterou o Código Penal para incluir, no Artigo 121, o crime de feminicídio (homicídio qualificado contra a mulher) tampouco contribuiu para a preservação da vida e da integridade física da mulher. 

Para a socióloga Clarisse Gurgel, professora de Ciência Política da UniRio, a questão da violência contra a mulher deve ser tratada, antes de tudo, com consciência. Numa referência à legislação vigente no Brasil, a cientista política observou, em entrevista à Sputnik Brasil:

"Isso é o que chamamos de 'judicializar a política'. Você não vai conseguir resolver questões que estão no campo da consciência com determinações legais. Determinação legal não produz adesão moral, não produz crenças e fé, a partir de um dispositivo posto simplesmente num texto legal. A violência – é importante dizer – é uma violência contra a mulher que não é só física, é uma violência que é psicológica, que é velada, que é silenciosa, e que às vezes até a mulher que está sofrendo a violência demora a perceber, e, quando percebe, muitas vezes se culpabiliza. Ela mesma se violenta diante da violência que sofre. São coisas muito sensíveis e minuciosas que merecem uma atenção maior, e não é um dispositivo legal que vai resolver, de forma alguma."

Também para Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), de São Paulo, a questão da violência deve ser tratada com crítica e consciência. A especialista em História e Política das três Américas diz em entrevista à Sputnik Brasil:

"Na América Latina, há uma sociedade extremamente machista e ressentida dos ganhos da inserção das mulheres cada vez mais autônomas e empoderadas na sociedade. Isso gera um ressentimento de que o outro lado está perdendo. Acho que isso também reflete um pouco as nossas estruturas sociais e culturais. Se nós pegarmos alguns casos europeus, não temos a violência doméstica. A violência no dia a dia [na Europa] não é tão presente como no caso da América Latina, em países como Brasil, Argentina, Chile e México. Mas lá temos barreiras bastante grandes, por exemplo, para a inserção das mulheres em postos de liderança. Ainda se tem não só uma visão cultural, mas também uma situação em que as mulheres não conseguem avançar mais do que determinado ponto nas suas carreiras, e continuam dependentes de seus parceiros."

Denilde Holzhacker considera ainda que a legislação no Brasil para combater a violência contra a mulher tem efeito positivo. E acrescenta:

“Quanto mais se divulgarem estas leis, melhor. Porque elas também servem para mostrar essa questão [violência contra a mulher] de forma mais clara e transparente. Temos mais divulgação, temos mais políticas de conscientização. Acho que nos últimos anos países como Brasil e Argentina vivem um processo de discutir essa questão e a transformar num problema público a ser enfrentado por todos.”




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