05/02/2018 as 17:04

O comunista (de araque) e o mercador de votos

Sem aspas Por Alex Nascimento

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
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O prefeito Edvaldo Nogueira é um personagem da política sergipana que se sustenta, mesmo que por vezes aos trancos e barrancos. Edvaldo se sustenta e se fortalece inclusive à medida que “dar a cara a bater” ao não se furtar, por exemplo, em tocar a sua zabumba mágica aos ouvidos do deputado federal André Moura, o que tem permitido ao prefeito conseguir um bocado de recursos para investir na cidade, a exemplo dos 140 milhões assegurados semana passada para obras de infraestrutura urbana e de mobilidade na capital.

Por uma lado, Edvaldo forja o melhor momento político de sua trajetória e por outro, de quebra, consolida uma imagem, uma personalidade política cada vez mais consistente e consciente de qual são seus pontos fracos e quais os fortes, quer como gestor quer como líder. Já não mais anda à reboque como se dizia tenha andado quando da era Déda – o que não quer dizer não reconheça a atual liderança do governador Jackson Barreto, a quem de certa forma deve o cargo que ocupa.  

A boa fase do comunista (de araque, claro, como de araque são todos os comunistas nestes tempos vazio de discurso) deve-se em parte aos esforços e flexibilidade políticas pessoais dele. A referida parceria é prova maior e mais madura disto. Por conta, há quem afirme que os aracajuanos irão ver o comunista de mãos dadas com o mercador Moura, pedindo votos para ele.

É bem verdade que André “comprou” um bocado de prefeitos e pronto, o que não quer dizer tenha se dado o mesmo com o comunista. Não é demais imaginar um Edvaldo Nogueira segurando o braço erguido de André e em alto e bom tom afirmar “este é o meu federal” ?! Aos que ainda sofrem comichões ideológicos, assim mesmo relaxem: isto não há de ocorrer!

E mesmo que viesse a ser o caso, somente a estes mesmos incomodaria, já que há muito todos sabem que política é também a arte do pragmatismo. E isto tanto Nogueira quanto André tem dado demonstrações de que o tem de sobra.

 

O querer vir a ser mais de Edvaldo

Assim sendo, o que se observa é que Edvaldo estabeleceu uma agenda e busca a todo custo conseguir colocá-la em prática. Aracaju, portanto, tem sido na verdade palco de um pragmatismo político e administrativo que a tem beneficiado.

Sem Edvaldo, Moura teria maiores dificuldades de ampliar sua margem de votos na capital. Sem André, Edvaldo teria ainda maiores dificuldades para caminhar, considerando-se este momento da política nacional em que o presidente Michel Temer, como é sabido, lida com as necessidades dos prefeitos e dos governadores ao som do diapasão não da ética e do dever, mas do oportunismo capaz de assegurar o plano traçado para livrar os seus das garras da justiça.

Esta compreensão da relação Nogueira/Moura basta! O comunista segue em frente e há de pisar com ainda mais força o solo da cidade que administra, nas eleições que se aproximam. Ele caminha em direção ao sonho de vir a ser mais, muito mais do que foi capaz de ser até agora. Para tanto, precisa tornar os conceitos que norteiam sua gestão em realidade.

Já o pragmatismo de André Moura fez dele o que é! Qualquer imberbe que pense em política deve observa-lo, estuda-lo, “admira-lo”. Como se diz na gíria sergipana, pense num sujeitinho tinhoso, ousado, topetudo e que a tudo encara e a tudo amortece, sobretudo no toma lá dá cá! Político que é não pragmático morre da banda cega. Ou seja, André não dar prego sem nó. Sabe que a verba que “libera” para Edvaldo não “vai vim selada” como o que acontece com os prefeitos do interior. Em Aracaju, a parada é um pouco diferente, pelo menos juntos ao eleitor mais esclarecido. Moura sabe que com Edvaldo executando obras na cidade com recursos fruto de sua intervenção, ele não precisará do comunista para segurar-lhes a mão. 

Um justo pacto entre os dois. Tão justo que este colunista se lembrou do que costumava dizer o saudoso ex-governador Marcelo Déda, nos idos das discursões sobre com quem ou não o PT deveria fazer alianças, quando o partido era muito diferente do que é hoje: “se para atravessar a ponte é preciso do inimigo para construi-la, que também deseja atravessá-la para o outro lado para vender suas frutas, é inteligente e compreensivo que se unam e construam juntos o que precisam, e assim possam ambos seguir adiante”.

 Claro que é bom sempre tomar cuidado!

 

Uma chinfrim oposição

A boa fase de Edvaldo se deve também ao fato de que não há praticamente oposição ao seu governo. Fraca e com um discurso repetitivo, a oposição tem deixado Edvaldo andar solto. Valadares Filho, que é a voz que deveria ser, digamos, a mais retumbante desta oposição não consegue ir além da história da revogação ou não do aumento do IPTU. Ao conceder entrevistas e falar do comunista, não consegue fazer nele um único arranhão. E assim, ao enfrentar uma oposição sem criatividade e sem ousadia, uma oposição que aparenta não compreender a importância de se apresentar conteúdo verdadeiramente crítico, com menos bordões e mais propositivo, segue Edvaldo tranquilo e com uma capacidade danada de articular recursos para a cidade. O prefeito planifica um terreno eleitoral que tende vir a ser o maior por ele já ladrilhado.

 

Um bocado de solavanco I

Durante a trajetória de Edvaldo Nogueira ao lado do saudoso ex-governador Marcelo Déda, não foram poucas as vezes que o comunista driblou urdiduras que pretendiam enfraquece-lo. Não lhe faltou tentativa de chega pra lá, não lhe faltou solavanco de sovaco. Houve momentos em que o próprio Déda precisou intervir para assegurar-lhe posição. De certa forma, viveu um pouco disto em 2016 quando alguns tentaram rifa-lo, preteri-lo. E não é que o sujeito vive o seu melhor momento político?!

 

Um bocado de solavanco II

É verdade que sua atual gestão é acusada de nepotismo, Mendonça Prado subiu em suas costas para voltar a ser visto, e o chamou de fraco; houve a questão da licitação do lixo e mesmo o tumulto que o envolveu na tangente dos saques da empresa Torre às véspera das eleições, e há ainda a baixa avaliação que se faz de seu governo até agora. Mas, em que pese tudo isto, está ai o Edvaldo: com a faca e o queijo na mão. Comunista bom é comunista pragmático!

 

Belivaldo sem enrolação

Neste último final de semana, durante almoço promovido pelo prefeito de São de Cristóvão, Marcos Santana (MDB), o vice-governador reafirmou que uma vez no governo vai buscar sempre ouvir os seus, ouvir os que estão por perto, construir junto o programa de governo considerando às necessidade reais dos municípios. Bem ao seu estilo, Belivaldo fez jus ao que dele dizem ao afirmar que a construção tem que se dar sem enrolação. Segundo ele, a relação com as lideranças políticas tem que ser objetiva. “Se vir que dar para fazer vamos lá e faremos, se se chega à conclusão de que algo não é possível ser feito tem que chegar e dizer que não pode ser feito, pelo menos naquele momento”. Em parte é isto mesmo que eleitores e lideranças políticas querem ouvir e ver.

 

Marcos Santana ladrilha caminhos importantes

Se há um cabra que tem se destacado na política sergipana desde que se tornou prefeito, este atende pelo nome de Marcos Santana (MDB), de São Cristóvão. Marcos, ao tempo que vem pautando sua cidade com uma gestão cada vez mais aprovada por seu povo, também vem marcando posição no espaço político em função de sua destreza e serenidade, tanto que teve a iniciativa de buscar reunir, no último sábado, um bocado de lideranças com o fito de continuar ajudando ao fortalecimento da pré-campanha de Belivaldo Chagas. Fez bem e acertado!

 

Pesos pesados

Estiveram presentes ao evento prefeitos, vice-prefeitos, deputados, vereadores e presidente de partidos aliados. Nas mídias sociais houve quem questionasse se o intento fora alçado. É verdade que alguns nomes de peso não compareceram, a exemplo do prefeito Edvaldo Nogueira. A ausência de um ou outro nome ao evento de pouco ou nada diz. Ou alguém imagina, por exemplo, o próprio Edvaldo Nogueira se deslocando para a oposição pelo fato de não ter podido comparecer a um evento em favor de Belivaldo?! Tem mesmo que ter santa paciência para o jogo miúdo do poder...

 

Entrada servida pela oposição I

Mas a entrada do almoço político organizado pelo prefeito de São Cristóvão não ficou por conta dele ou de alguma das centenas de lideranças presentes. Quem a serviu foi a oposição. É que, antes mesmo do encontro de sábado, membros da oposição, especialmente o senador e pré-candidato ao governo Eduardo Amorim, “soltou algumas ironias” com relação ao que se pululou nas mídias sócias: a perspectiva de Santana em conseguir reunir 45 prefeitos sergipanos no referido encontro.

 

Entrada servida pela oposição II

Este colunista não esteve presente ao almoço, apesar de convite profissional para o regabofe com política – mas teve acesso aos áudios e vídeos. Não pôde, portanto, sair contando 1,2,3,4,18, 33, 45 e nem assim o faria. No site JLPolítica, por exemplo, dias antes do evento, o senador Amorim fez a seguinte afirmação quanto ao número de prefeitos que estão com o vice-governador e que provavelmente estariam participariam do evento: “eram 50, caíram para 45 e já falam até em 37. Está caindo”. A leitura do que afirmou o senador foi feita pelo próprio JL, que assim escreveu: “com ironia ou não, 45 simbolizam 60% dos prefeitos. Seguramente, dá mais tranquilidade eleitoral do que a quem tem apenas 30 deles – ou 40% de todos os chefes de Executivo, que é o caso do próprio Eduardo Amorim com seu bloco”. Há de se concordar!

 

Um sujeito do bem

O jornalista Cloves Trindade assumiu a Diretoria Administrativa e Financeira da Emsurb, uma das mais importantes instituições da estrutura administrativa da capital. Seu ida para a prefeitura deve-se à sugestão do governador Jackson Barreto, acolhida de pronto pelo prefeito Edvaldo Nogueira. O jornalista é um quadro com experiência. Já foi vice-prefeito por dois mandatos. Antes de ir para a Emsurb, Cloves ocupava um dos cargos diretivos da Fundação Aperipê. Tido como um bom camarada, é um desses raros sujeitos que, por onde passa, conquista respeito e admiração, tanto por sua competência profissional quanto por sua discrição e simplicidade. Ganhou Edvaldo Nogueira um grande nome. A cidade também!

 

Banco Santander

Bastou este colunista tocar no nome do Banco Santander para mais um bocado de leitores entrar em contato relatando a maneira como esta instituição financeira trata seus clientes e a dificuldade deste para renegociar suas dívidas. O jovem Macros - cujo sobrenome a coluna omite por respeito, visto o “medo” que ele tem de sofrer “retaliação”, e portanto pede off -  há mais de um ano humilha-se junto ao banco para poder voltar a dirigir seu veículo, que era utilizado também para o sustento da família. Após seis meses sem poder pagar as prestações do veículo, hoje Marcos precisa alugar carro de locadora, o que reduz substancialmente seus ganhos e o impossibilita ainda mais de honrar com seus compromisso junto ao banco, e isto porque a instituição se fecha a qualquer tipo de renegociação. Ou é o que ela determina ou é nada. Se o leitor for financiar algum bem por esta instituição é bom ficar ligado.

 

Aspas do almoço

I.          Muitas fofocas e comentários surgiram durante a semana sobre o PRB. Estamos com Belivaldo Chagas. Não quero deixar dúvidas”. Jony Marcos, deputado Federal.

II.        Todo dia é uma fofoca. A fofoca de que Jony não larga uma calculadora, que é conta pra aqui e conta pra lá. Está errado não. Mas tenho certeza que a conta que Jony faz tenho certeza que o melhor pra ele é este grupo”. Belivaldo Chagas, vice-governador.

 

Contato, sugestões e críticas: alex.semaspas@gmail.com

Telefone – (79) 988494713

 




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