POLÍTICA

24/12/2017 as 19:48

A narrativa do desencanto

Por Alex Nascimento

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
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Qual a expressão que melhor caracteriza o sentimento dos brasileiros com relação à política nacional e aos políticos em 2017?

Considere o muito que se diz sobre o espírito festeiro dessa gente, sobre sua capacidade de acreditar na própria força, esse traço histórico de resistência, essa capacidade de superar adversidades e de enfrentar o duro cotidiano; considere-se tudo isto e mesmo assim, em sua maioria, o brasileiro sentiu os inúmeros golpes desferidos pela classe política nos últimos anos, especialmente em 2017.  O sentimento de desencanto é quase geral. E não é para menos!

Esta ausência real de perspectiva de que algo mude na política brasileira é a causa do abatimento, caldo engrossado ao se constatar que não há sinais de arrefecimento da mentalidade oligárquica e antidemocrática que marca a história do Brasil. Por aqui, a corrupção é uma herança familiar, um mercado compartilhado que impede a nação de ser justa com seu povo. (Vide texto http://maisalo.com.br/colunista/2017/12/10767/o-fortalecimento-da-corrupcao-em-familia.html)

O brasileiro, em sua maioria, seguirá cabisbaixo em esperança frente tanta roubalheira, tanta desfaçatez e canalhice política que marcam o cotidianodo pais. Ele sabe que não há perspectiva de uma nova realidade, sabe que com a atual geração de políticos não há nenhuma possibilidade de mudança. Mesmo assim deve, obviamente, seguir em frente...

No Brasil, não é válida a máxima segundo a qual para que um novo tempo floresça é preciso que um velho tempo apodreça, e caia! No Brasil, de há muito o velho podre tempo já nem mais ampara os pelos das narinas e persiste como uma praga, uma chaga aberta na “palma polpa da mão ao sol”, como diria os irmãos Campos. O fato é que os mais arraigados traços de nossa história são os mais fortes emblemas de nossa miséria política. E estes devem sempre ser combatidos.

Em palavras menos poéticas, pode-se afirmar que o Brasil velho, o Brasil que condena os seus à miséria, ao desemprego, à desigualdade social e que permite que os seis homens mais ricos do pais faturem o mesmo que outros 100 milhões de brasileiros (veja lista abaixo) está vivíssimo.

E que não venham dizer deste colunista “um pendão ao pessimismo”. Com pessimismo, este colunista diria do enfraquecimento, em curso, das investigações da Lava Jato; diria das articulações para um indulto geral à bandidagem, diria dos índices de mortes por armas de fogo, dos números da educação e dos serviços de saúde, diria dos inúmeros casos de corrupção que terão continuidade e dos corruptos que provavelmente serão soltos nos próximos meses.

No Brasil, as narrativas construídas pelos partidos políticos, pelos parlamentos e pelos doutos superiores da justiça conduzem o pais a uma epopeia de engodos e roubalheira. A narrativa de uma nação impedida de se tornar grande, amarga o desencanto político. Oxalá não sucumba a ele!

Ao povo, cabe alimentar a luta, alimentar a fé e buscar construir saídas (esperança!) que a classe políticainsiste em também querer roubar.

O medo I - Em política, a chamada narrativa é decisiva para a vitória de uma candidatura e linha distintiva de discursos, estratégias, linguagem e slogans. A narrativa leva em conta o espectro ideológico dos partidos, o estilo de seus candidatos e sobretudo a conjuntura política e perfil do eleitorado em dado momento. Para as eleições de 2018, apenas Lula e Bolsonaro tem mais solidamente definidas as narrativascom que se apresentarão ao eleitorado. No caso do PT, o medo e a vitimização darão o tom das campanhas. Tende a sair fortalecido nas eleições de 2018. O medo alimenta conquistas!

O medo II - Será a ladainha do já enfadonho discurso dogolpe, da retirada de direitos da classe trabalhadora, da elite contra o povo, da trama arquitetada pelos meios de comunicação de massa, da ameaça a projetos sociais,a do líder político perseguido e injustiçado, da democracia violada. Já a narrativa de Bolsonaro estará calcada no mundo mágico, no irreal. Ela é “simples” e óbvia, ceivada de preconceito e intolerância. No mundo fantástico de Bolsonaro, a tragédia política nacional e a história de corrupção do país podem ser resolvidas com falsos arroubos nacionalista e por um discurso idiotizado ecravado de preconceitos. Os lamentáveis extremos estarão presentes em 2018.

Desmoralizada I - A narrativa do PMDB dependerá dos resultados na economia. Assim como DEM, dirá de suposta superação “da mais profunda crise financeira da história do pais”, do crescimento da produção nacional, do aumento de empregos e da necessidade de reformas. O mesmo se dará com o PSDB, outro desmoralizado, que dirá do tempo em que governou o pais – quando a corrupção ainda segredava-sepor baixo de um tapete maisfelpudo de possibilidades de não ser descoberta. Grande parte destes dois partidos terá que olhar de cócoras para o eleitor - e com muito dinheiro nas mãos.

Tudo pronto para Meirelles – O mercado apresentou o seu candidato, e o apresentou fazendo uso de todos os recursos para a construção de uma narrativa que pode pegar. O ministro da Fazenda Henrique Meireles é o “novo” Fernando Henrique Cardoso. No último programa do PSD ficou claro que as coisas já estão mais ou menos amarradas. Meirelles é perfeito para nada alterar na realidade da política, prefeito para o mercado e para manter a corja a qual está ligado fora das garras da justiça.  Com Meirelles, os membros da Polícia Federal, do Ministério e juízes das inúmeras operações contra a corrupção terão mesmo ainda mais motivos para temer o desmonte do que estão sendo capazes de construir para a nação.

Parte da engrenagem - Escuso falar do PDT, PPS, do PV ou de outras pencas de partidos. Estes apresentarão o velho discurso do trabalhismo, da necessidade de taxar as grandes fortunas, da necessidade de se investir em educação, saúde, transporte público, da necessidade de se promover um desenvolvimento sustentável e todo um conjunto de obviedades para se modernizar o Brasil, como a redução da máquina pública. Pouca ou nenhuma diferença prática há entre estes partidos. No fundo, são também parte da engrenagem da velha política nacional, instrumentos para mudança de coisa nenhuma.

Longe do sol

Mas há o PSOL e a Rede e também o Podemos. Estes vão fazer algum barulhinho bom, mas com uma narrativa que não convence. Além do pau que darão no PT, no PMDB e no PSDB farão uso de velhos chavões da esquerda - o PSOL terá parte de sua narrativa vazada devido o retorno às gargantas petistas dos mesmos discursos e bandeiras. O PSOL certamente é o único partido ainda de esquerda no Brasil. Vai apresentar uma narrativa para uma classe média melhor esclarecida, sem força para conduzi-lo ao sol do poder.

A narrativa da Rede

Já o Rede deve vim enfadonho, repetitivo, sem criatividade. O Rede encontrou uma narrativa quando de sua fundação, e apesar de nomes como o de Heloísa Helena, Marina Silva, Alessandro Molon e Miro Teixeira, no conjunto vem com o papinho de que é preciso uma nova política, que no fundo pouco ou nada diz, e de que o Rede não tem dono e coisa e tal - embora em quase todos os estados o partido tenha sido dominado por algum aprendiz de cacique. Dirão abstrações diversas, só não dirá de fato como tirar o Brasil do poço. Marina Silva bem que poderia passar a bola, mas política é casa de vaidades...

A oposição em Sergipe

Qual oposição?! O que terão a dizer que já não disseram? O desafio da oposição em Sergipe é justamente o de construir uma narrativa. Dirão do “fracasso” do governo Jackson Barreto, da crise na segurança pública, na saúde, na educação; dirão do número de cargos comissionados, dirão que o povo “reconhece que errou” no caso da vitória de Edvaldo Nogueira e darão pau no comunista e em Belivaldo. Correm o sério risco de acentuar o desencanto do eleitor, porque dirão da narrativa da conveniência, “ao sabor de onde estejam”. Este colunista torce que o projeto Pensar Sergipe, alardeado pela oposição, tenha mesmo dado algum resultado...

Belivaldo leva vantagem

Nenhum outro nome que não o de Belivaldo tem maiores condições para responder às marteladas que o governo Jackson vai levar durante a campanha do ano que vem. Belivaldo é seguro e bem humorado, sabe fazer o enfrentamento e a defesa. Seu nome tende a crescer, sobretudo quando começar a explorar a própria narrativa pessoal. Ela dirá do conhecimento que tem do estado, de sua passagem pela Assembleia, de sua lealdade a Déda, de sua passagem pela Secretaria da Educação e de ser um sujeito de bom trato e respeitoso às lideranças que o abraçam.Sujeito simples, um “quase vaqueiro de Simão Dias”, como diz dele certo deputado, “que foicapaz de vencer, de chegar lá...” Sua narrativa deve mostrar um Belivaldo que não herdou da política e que sabe se posicionar com clareza diante dos problemas e dificuldades que o estado atravessa. A narrativa em torno dele ainda dirá de sua capacidade de diálogo com os movimentos sociais e de trabalhadores, com direito a depoimentos do MST e tudo. Belivaldo, neste sentido, leva vantagem.

Fontes e Mendonça picam o sapo I

Ao ser anunciada a parceria entre Mendonça Prado e João Fontes e de que estes iriam para o PPS, numa casamento celebrado pelo “cardeal” Clovis Silveira, embaixo da já famosa mangueira da sede do partido, setores da política e da imprensa viram na dubla uma articulação inteligente e viável. Ambos tem sangue no olho, manipulam com certa competência a palavra e tem experiência política. Clovis andava mesmo animado! Mas os escorpiões picaram o sapo ainda na beira do rio. Mas Clovis é danado, vai saber se reposicionar.

Fontes e Mendonça picam o sapo II

Com a ida de Mendonça para o DEM,a narrativa quePrado e Fontes vinham construindo terá que passar por modelações. Ficou mais difícil para eles. Vão falar em ética, estandono DEM?! João Fontes, todos sabem, sempre foi isto mesmo:sonha com a oportunidade de novamente atravessar o rio e chegar do outro lado, garboso e vaidoso como é. Politicamente vive em um espécie de bote em alto mar, que é o próprio discurso, de rádio em rádiono afã de chegar novamente do outro lado. Dizem assim dele: “seria um bom”. No DEM, terá discurso? Vai defender o senhor Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia?! Tiro no bote!

Eliane Aquino e as cartas marcadas I

A vice-prefeita Eliane Aquino aparece bem em todas as pesquisas de intensão de votos. Ela vem demonstrando interesse em ser candidata e, através dos meios de comunicação, vez outra manifesta algumas críticas ao Partido dos Trabalhadores. À jornalista Rita Oliveira por exemplo, do Jornal do Dia, lamentou que nunca tenha sido convidada pelo partido para conversar sobre o fato de seu nome aparecer bem nas pesquisas de opinião. Segundo ela, o “PT não se interessa por isso porque as cartas são marcadas”. Alguém neste pais desconhece tal fato?! Em qual partido é diferente?!

Eliane Aquino e as cartas marcadas II

O fato é que o nome de Eliane Aquino aprece bem e pode vir a ser uma pedra no meio do caminho de Márcio Macedo, no de João Daniel e mesmo no caminho de Rogério Carvalho. A vice-prefeita agora integra a tendência Movimento PT, corrente interna do partido comandada por Sílvio Santos. Uma parceria curiosa e longe de ser gratuita.

Sílvio Santos, o discreto

Por falar em Silvio Santos, o hoje secretário de Edvaldo mantem uma inteligente discrição para o momento. É pré-candidato a deputado estadual, mantem com Márcio Macedo e Rogério Carvalho uma relação positiva, já teve mais cacife interno, quando as forças eram, digamos, mais equilibradas. Mas agora, com a declarada parceria com Eliane Aquino, Silvio se fortalece, e a vice também!

Maluf “só solto”

E o leitor há de convir que em terra de bandido que tem humor se destaca. O ex-prefeito de São Paulo Maluf, ao ser questionado em depoimento ao Supremo Tribunal Federal se já havia sido preso, afirmou que não, que “só solto”. A frase é ou não filosófica?

Greve de fome é alvará de bandido

Antony Garotinho fez greve de fome e logo depois caiu fora da Papuda. Sua filha, antes de seu pais escapar, fez o seguinte comentário: “um ato extremo como forma de tentar fazer as pessoas refletirem no que está acontecendo”. Clarisse Garotinho é deputada federal licenciada, exerce o cargo de secretária municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação do Rio: “meu pai é o único político no Brasil preso por suposto crime eleitoral de caixa dois. Isso já seria um absurdo por si só, se não fosse o fato de que nesse processo não houve coleta de depoimento, tampouco julgamento”. Quer mais?! Ladrão que é ladrão faz greve de fome...

A narrativa de Gilmar Mendes

É bandido?! Manda soltar!

Os seis mais ricos

Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim) são as seis pessoas mais ricas do Brasil. Eles concentram, juntos, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (207,7 milhões). Estes seis bilionários, se gastassem um milhão de reais por dia, juntos, levariam 36 anos para esgotar o equivalente ao seu patrimônio. Foi o que revelou um estudo sobre desigualdade social realizado pela Oxfam.  https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/22/politica/1506096531_079176.html

Aspas

“Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”. Churchill Winston

O Tanque...

A mãe canta,

E me encanta

O desencanto.

Francismar Prestes Leal

Homenagem

A esposa deste colunista está grávida e o nascimento de seu filho previsto para abril. Uma narrativa de vida que se renova! 

Feliz Natal e Feliz 2018!

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